Crises do FMI
Há consenso sobre a urgente
necessidade de repensar os rumos do FMI, bem como forte pressão por um controle
mais democrático da instituição que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, na
conferência de Bretton Woods, quando foi criado o aparato institucional do
sistema financeiro internacional em vigor e que também carece de uma reforma
estrutural.
Em 1982, economistas do Departamento
de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ)
apontaram alternativas ao tradicional receituário do FMI para tentar preservar
a economia doméstica dos corrosivos efeitos da crise internacional.
Surgiu então muitas dúvidas em relação
a existência do FMI. Ele deve continuar a servir para equilibrar crises e
oscilações cambiais nos países membros? Ou deve ser transformado em
“emprestador de última instância”, dentro de uma nova arquitetura do sistema
financeiro internacional? O FMI deve prevenir ou administrar crises? Deve
exercer um papel direto na política de desenvolvimento dos países membros; ou o
Fundo deve apenas interagir com o Banco Mundial e o mercado de capitais
privado?
O primeiro e o segundo choques do
petróleo (1973/74 e 1979/80), a recessão mundial e as altas taxas de juros
confirmaram na prática o que era temido teoricamente. A evidência de que o
sistema financeiro internacional peri- clitava (1980/81) tornou-se óbvia quando
o problema da dívida externa manifestou-se de forma generalizada (1982), com
mais de três dezenas de heterogêneos países encontrando dificuldades em honrá-las.
Especialistas afirmam que é de extrema
importância que o FMI seja transformado em um verdadeiro emprestador de última
instância. Para isso, o Fundo necessitaria de muito mais recursos. Assim sendo,
por um lado, o FMI deve ser fortalecido para cumprir bem o objetivo de auxiliar
os países membros a sobreviver durante crises temporárias de liquidez (curto
prazo).
Uma das preocupações do FMI são as
reformas estruturais. Poul Thomsen era um dos grandes entusiastas da chamada
desvalorização fiscal (corte na taxa social única compensada por impostos) que
acabou por ser abandonada e não acredita muito na meia hora de trabalho
adicional.
Em uma iniciativa coordenada, os
países emergentes anunciaram medidas para reduzir sua dependência do dólar e
aceleraram a compra de títulos do Fundo Monetário Internacional (FMI). A
decisão de Brasil, China e Rússia de se tornarem credores do Fundo e promoverem
uma pequena revolução no mercado ocorre uma semana antes da primeira cúpula de
líderes dos Bric’s (Brasil, Rússia, Índia e China), em que se discutirá formas
de reduzir a supremacia do dólar no cenário internacional.
Brasil e FMI
O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
anunciou no dia 10 de junho de 2009 um empréstimo de US$ 10 bilhões do Brasil
para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Foi a primeira vez na história em
que foi realizada uma operação dessa natureza. Com o empréstimo, o Brasil
passou à condição de credor do Fundo, que fez uma emissão de bônus (títulos de
dívida) que foram adquiridos pelo País. O montante de US$ 10 bilhões foi
expresso nos papéis em Direitos Especiais de Saque (DES), a moeda com que
trabalha o FMI.
Em 2009, os chineses já estavam
convencidos de que era hora de debater se o dólar deveria ser mantido como
praticamente a única moeda de reserva no mundo e o país queria levar para a
cúpula dos Bric’s a idéia de uma nova moeda global. Essa discussão se estendeu
e teve diversos países apoiadores.
Pela primeira vez na história, o
Brasil emprestou milhões ao FMI, para socorrer países emergentes com
dificuldades de financiamento devido à eclosão da crise econômica mundial.
Em abril de 2009, o Brasil foi
convidado a fazer parte dos países credores do FMI, e o governo brasileiro
aceitou a proposta. Para o FMI, porém, a iniciativa dos Brics voltou a dar
sentido à entidade, que por anos esteve em uma situação crítica. Não atendia
aos interesses dos países emergentes e não era reformada. Com a crise,
analistas estimaram que o FMI conseguiu se recolocar no centro do debate. No
mesmo ano, o FMI ainda promoveu seu primeiro empréstimo em décadas para um país
rico: a Islândia.
O Ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva lembrou que, quando tomou posse na Presidência, em 2003, era favorável à
bandeira "Fora FMI". Mas disse que a situação mudou. "Esta semana,
eu emprestei US$ 10 bilhões para eles: pega aí”,disse o presidente em 2009.
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