quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


Crises do FMI

Há consenso sobre a urgente necessidade de repensar os rumos do FMI, bem como forte pressão por um controle mais democrático da instituição que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, na conferência de Bretton Woods, quando foi criado o aparato institucional do sistema financeiro internacional em vigor e que também carece de uma reforma estrutural.

Em 1982, economistas do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) apontaram alternativas ao tradicional receituário do FMI para tentar preservar a economia doméstica dos corrosivos efeitos da crise internacional.
Surgiu então muitas dúvidas em relação a existência do FMI. Ele deve continuar a servir para equilibrar crises e oscilações cambiais nos países membros? Ou deve ser transformado em “emprestador de última instância”, dentro de uma nova arquitetura do sistema financeiro internacional? O FMI deve prevenir ou administrar crises? Deve exercer um papel direto na política de desenvolvimento dos países membros; ou o Fundo deve apenas interagir com o Banco Mundial e o mercado de capitais privado?

O primeiro e o segundo choques do petróleo (1973/74 e 1979/80), a recessão mundial e as altas taxas de juros confirmaram na prática o que era temido teoricamente. A evidência de que o sistema financeiro internacional peri- clitava (1980/81) tornou-se óbvia quando o problema da dívida externa manifestou-se de forma generalizada (1982), com mais de três dezenas de heterogêneos países encontrando dificuldades em honrá-las.

Especialistas afirmam que é de extrema importância que o FMI seja transformado em um verdadeiro emprestador de última instância. Para isso, o Fundo necessitaria de muito mais recursos. Assim sendo, por um lado, o FMI deve ser fortalecido para cumprir bem o objetivo de auxiliar os países membros a sobreviver durante crises temporárias de liquidez (curto prazo).

Uma das preocupações do FMI são as reformas estruturais. Poul Thomsen era um dos grandes entusiastas da chamada desvalorização fiscal (corte na taxa social única compensada por impostos) que acabou por ser abandonada e não acredita muito na meia hora de trabalho adicional.

Em uma iniciativa coordenada, os países emergentes anunciaram medidas para reduzir sua dependência do dólar e aceleraram a compra de títulos do Fundo Monetário Internacional (FMI). A decisão de Brasil, China e Rússia de se tornarem credores do Fundo e promoverem uma pequena revolução no mercado ocorre uma semana antes da primeira cúpula de líderes dos Bric’s (Brasil, Rússia, Índia e China), em que se discutirá formas de reduzir a supremacia do dólar no cenário internacional.



Brasil e FMI

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no dia 10 de junho de 2009 um empréstimo de US$ 10 bilhões do Brasil para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Foi a primeira vez na história em que foi realizada uma operação dessa natureza. Com o empréstimo, o Brasil passou à condição de credor do Fundo, que fez uma emissão de bônus (títulos de dívida) que foram adquiridos pelo País. O montante de US$ 10 bilhões foi expresso nos papéis em Direitos Especiais de Saque (DES), a moeda com que trabalha o FMI.

Em 2009, os chineses já estavam convencidos de que era hora de debater se o dólar deveria ser mantido como praticamente a única moeda de reserva no mundo e o país queria levar para a cúpula dos Bric’s a idéia de uma nova moeda global. Essa discussão se estendeu e teve diversos países apoiadores.

Pela primeira vez na história, o Brasil emprestou milhões ao FMI, para socorrer países emergentes com dificuldades de financiamento devido à eclosão da crise econômica mundial.

Em abril de 2009, o Brasil foi convidado a fazer parte dos países credores do FMI, e o governo brasileiro aceitou a proposta. Para o FMI, porém, a iniciativa dos Brics voltou a dar sentido à entidade, que por anos esteve em uma situação crítica. Não atendia aos interesses dos países emergentes e não era reformada. Com a crise, analistas estimaram que o FMI conseguiu se recolocar no centro do debate. No mesmo ano, o FMI ainda promoveu seu primeiro empréstimo em décadas para um país rico: a Islândia.

O Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou que, quando tomou posse na Presidência, em 2003, era favorável à bandeira "Fora FMI". Mas disse que a situação mudou. "Esta semana, eu emprestei US$ 10 bilhões para eles: pega aí”,disse o presidente em 2009.

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