LINHA DO TEMPO:
Brasil e FMI
----- Anos 50 ------
Primeiras
operações de crédito entre o Brasil e o FMI
----- 1964 ------
Foi
Juscelino Kubitschek quem deu inicio o desmoronamento histórico do FMI, ao
preferir continuar o caminho da irresponsabilidade fiscal na construção de
Brasília, em lugar de se submeter ao “regime de emagrecimento” orçamentário
então recomendado. Nessa época o regime militar brasileiro inicia uma fase de
boas relações com o FMI, sem qualquer dependência financeira.
----- Anos 1970 ------
Brasil
passa por duas crises do petróleo. A
primeira crise do petróleo exigiu dos governos no mundo grandes ajustes, mas o
Brasil preferiu continuar crescendo com empréstimos externos. A dívida externa
chegou a US$ 12,6 bilhões no fim de 1973. O início da segunda crise do petróleo
com a revolução do Irã levaram os preços a dispararem novamente, mas,
diferentemente da primeira crise, essa foi a mais prolongada, por isso a dívida
brasileira começou a disparar.
----- 1982 -----
Brasil
passa por uma séria crise de dívida externa. Diante da restrição de crédito
externo, o México, que também cresceu com base em empréstimos externos,
decretou moratória e colocou em risco todas as economias em desenvolvimento do
mundo. Reunião do FMI em Toronto não define um esperado pacote de ajuda aos
países subdesenvolvidos. Nesse encontro, o governo brasileiro descobriu que
estava no topo da lista de apostas do país que seria o próximo a quebrar. O
governo brasileiro procurou em dezembro, formalmente o FMI em busca de um
pacote de ajuda e chama todos os seus credores para renegociar os pagamentos
programados. A dívida externa chega a US$ 83,2 bilhões, com US$ 13 bilhões
vencendo em até um ano
----- 1985 -----
A
partir desse ano o Brasil redemocratizado enfrenta más relações com o FMI, no
quadro de uma repentina dependência de recursos externos devido às crises
anteriores.
----- Anos 90 -----
Os
encontros e desencontros continuaram nos anos 90, mas o Brasil não buscou o
aval do FMI para renegociar seus créditos no âmbito do Clube de Paris ou
estender suas obrigações juntos aos bancos privados.
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1994 -----
Em
abril desse ano, o governo adere ao Plano Brady, transformando sua dívida
externa com credores privados em títulos negociáveis com prazos e condições
financeiras mais favoráveis ao Brasil do que nos contratos anteriores.
Nicholas
Brady, Secretário do Tesouro dos Estados Unidos. Foto: Reprodução
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1998 -----
Somente
nesse ano, o Brasil voltou à dependência financeira do FMI entre os meses de
outubro-dezembro, depois de muito relutar durante quase dez anos. O pacote negociado
em novembro desse ano teve de ser renegociado em fevereiro seguinte, depois da
crise da desvalorização do real, mas o desempenho do Brasil revelou-se bem
sucedido, a ponto de devolvermos em abril de 2000 a maior parte do dinheiro
sacado preventivamente.
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2001/2002 -----
Os
dois outros pacotes negociados pelo Ministro Pedro Malan e o presidente do
Banco Central Armínio Fraga, em 2001 e 2002, também tiveram essa característica
de socorro preventivo, o que livrou o Brasil das piores crises enfrentadas
pelos países asiáticos desde 1997.
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2005 -----
O
governo brasileiro não renova o empréstimo feito em 2002 e, no fim do ano,
quita o restante da sua dívida de US$ 15,5 bilhões, livrando-se da cartilha de
exigências do Fundo
Lula
e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, anunciam que o governo não renovou
empréstimo com o FMI. Foto: Jamil Bittar/Reuters
-----2009-----
O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no dia 10 de junho de 2009 um
empréstimo de US$ 10 bilhões do Brasil para o Fundo Monetário Internacional
(FMI). Foi à primeira vez na história em que foi realizada uma operação dessa
natureza. Com o empréstimo, o Brasil passou à condição de credor do Fundo.
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Análise da linha do tempo -----
O
registro histórico das relações entre o Brasil e seus credores internacionais
indica experiências diversas de inadimplências e de renegociações financeiras,
desde o Império aos dias atuais, sem um padrão de comportamento.



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