quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


LINHA DO TEMPO:

Brasil e FMI

----- Anos 50 ------
Primeiras operações de crédito entre o Brasil e o FMI

----- 1964 ------
Foi Juscelino Kubitschek quem deu inicio o desmoronamento histórico do FMI, ao preferir continuar o caminho da irresponsabilidade fiscal na construção de Brasília, em lugar de se submeter ao “regime de emagrecimento” orçamentário então recomendado. Nessa época o regime militar brasileiro inicia uma fase de boas relações com o FMI, sem qualquer dependência financeira.

----- Anos 1970 ------
Brasil passa por duas crises do petróleo.  A primeira crise do petróleo exigiu dos governos no mundo grandes ajustes, mas o Brasil preferiu continuar crescendo com empréstimos externos. A dívida externa chegou a US$ 12,6 bilhões no fim de 1973. O início da segunda crise do petróleo com a revolução do Irã levaram os preços a dispararem novamente, mas, diferentemente da primeira crise, essa foi a mais prolongada, por isso a dívida brasileira começou a disparar.

----- 1982 -----
Brasil passa por uma séria crise de dívida externa. Diante da restrição de crédito externo, o México, que também cresceu com base em empréstimos externos, decretou moratória e colocou em risco todas as economias em desenvolvimento do mundo. Reunião do FMI em Toronto não define um esperado pacote de ajuda aos países subdesenvolvidos. Nesse encontro, o governo brasileiro descobriu que estava no topo da lista de apostas do país que seria o próximo a quebrar. O governo brasileiro procurou em dezembro, formalmente o FMI em busca de um pacote de ajuda e chama todos os seus credores para renegociar os pagamentos programados. A dívida externa chega a US$ 83,2 bilhões, com US$ 13 bilhões vencendo em até um ano



----- 1985 -----
A partir desse ano o Brasil redemocratizado enfrenta más relações com o FMI, no quadro de uma repentina dependência de recursos externos devido às crises anteriores.

----- Anos 90 -----
Os encontros e desencontros continuaram nos anos 90, mas o Brasil não buscou o aval do FMI para renegociar seus créditos no âmbito do Clube de Paris ou estender suas obrigações juntos aos bancos privados.

----- 1994 -----

Em abril desse ano, o governo adere ao Plano Brady, transformando sua dívida externa com credores privados em títulos negociáveis com prazos e condições financeiras mais favoráveis ao Brasil do que nos contratos anteriores.

 Nicholas Brady, Secretário do Tesouro dos Estados Unidos. Foto: Reprodução

----- 1998 -----
Somente nesse ano, o Brasil voltou à dependência financeira do FMI entre os meses de outubro-dezembro, depois de muito relutar durante quase dez anos. O pacote negociado em novembro desse ano teve de ser renegociado em fevereiro seguinte, depois da crise da desvalorização do real, mas o desempenho do Brasil revelou-se bem sucedido, a ponto de devolvermos em abril de 2000 a maior parte do dinheiro sacado preventivamente.

----- 2001/2002 -----
Os dois outros pacotes negociados pelo Ministro Pedro Malan e o presidente do Banco Central Armínio Fraga, em 2001 e 2002, também tiveram essa característica de socorro preventivo, o que livrou o Brasil das piores crises enfrentadas pelos países asiáticos desde 1997.

----- 2005 -----
O governo brasileiro não renova o empréstimo feito em 2002 e, no fim do ano, quita o restante da sua dívida de US$ 15,5 bilhões, livrando-se da cartilha de exigências do Fundo


Lula e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, anunciam que o governo não renovou empréstimo com o FMI. Foto: Jamil Bittar/Reuters



-----2009-----

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no dia 10 de junho de 2009 um empréstimo de US$ 10 bilhões do Brasil para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Foi à primeira vez na história em que foi realizada uma operação dessa natureza. Com o empréstimo, o Brasil passou à condição de credor do Fundo.

----- Análise da linha do tempo -----

O registro histórico das relações entre o Brasil e seus credores internacionais indica experiências diversas de inadimplências e de renegociações financeiras, desde o Império aos dias atuais, sem um padrão de comportamento.

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